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Violência contra mulheres cresce na Copa do Mundo e acende alerta para rede de proteção; especialista defende políticas públicas e canais de denúncia na Bahia

Redação
Última atualização 18/06/2026 6:25 PM
Última atualização 18/06/2026
5 Min Read
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Estudo aponta aumento de 23,7% nos registros de ameaças e de 20,8% nas agressões físicas contra mulheres durante partidas de futebol


Enquanto milhões de brasileiros acompanham a Copa do Mundo, especialistas alertam para uma realidade que costuma avançar longe dos estádios: o aumento da violência contra mulheres em dias de jogos.


Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), realizado em parceria com o Instituto Avon, identificou que os registros de ameaças contra mulheres aumentam 23,7% em dias de partidas de futebol. Já os casos de agressão física apresentam crescimento de 20,8%. Quando o time joga em casa, a alta nas ocorrências pode chegar a 25,9%. O estudo analisou boletins de ocorrência registrados em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre entre 2015 e 2018.


O alerta ganha ainda mais relevância durante a Copa do Mundo, período em que o futebol mobiliza milhões de pessoas e costuma intensificar comportamentos associados ao consumo excessivo de álcool, tensões emocionais e conflitos familiares.


Para Talita Oliveira, especialista em Direito Público e pré-candidata a deputada federal pela Bahia, os dados evidenciam a necessidade de fortalecer as políticas de proteção às mulheres justamente durante grandes eventos esportivos.


“A Copa do Mundo é um momento de celebração para muitas famílias, mas os números mostram que também exige atenção especial das autoridades e da sociedade. Quando observamos o aumento das ocorrências de violência em dias de jogos, fica claro que precisamos reforçar os mecanismos de prevenção, acolhimento e denúncia”, afirma.

Segundo a especialista, o enfrentamento da violência contra a mulher deve ser tratado como uma política pública permanente, mas com atenção redobrada em períodos de grande mobilização social.


“Não estamos falando de um problema provocado pelo futebol, mas de uma violência que já existe e que encontra nesses momentos fatores capazes de agravar situações de vulnerabilidade. O desafio é garantir que as mulheres tenham acesso rápido à rede de proteção e saibam onde buscar ajuda”, diz.
Na avaliação de Talita, a Bahia tem um papel importante nesse debate, tanto pelo tamanho de sua população quanto pela forte cultura esportiva presente no estado.


“Na Bahia, esse alerta precisa ser tratado com seriedade porque estamos falando de um estado com forte mobilização popular em torno do futebol e, ao mesmo tempo, com desafios históricos no enfrentamento à violência contra a mulher. Em períodos como a Copa, é essencial que a rede de proteção esteja ainda mais visível, com canais de denúncia amplamente divulgados e atendimento preparado para acolher vítimas com rapidez e segurança”, afirma.


O cenário nacional também chama atenção. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que as forças de segurança receberam mais de 1 milhão de chamados relacionados à violência doméstica em um único ano, uma média de duas ligações por minuto.


Para Talita, além do fortalecimento da rede de atendimento, campanhas de conscientização precisam ganhar espaço durante o torneio.


“Assim como existem campanhas relacionadas ao trânsito, ao consumo responsável e à segurança pública, também é importante aproveitar a visibilidade da Copa para reforçar mensagens de combate à violência contra a mulher e divulgar canais de denúncia. Muitas vítimas ainda não conhecem os mecanismos de proteção disponíveis”, afirma.


Na avaliação da especialista, o papel das instituições públicas, clubes esportivos, veículos de comunicação e da sociedade civil é fundamental para ampliar a conscientização sobre o tema.


“O esporte tem enorme capacidade de mobilização social. Ele pode e deve ser utilizado também para promover respeito, igualdade e prevenção da violência. Nenhuma paixão esportiva pode servir de justificativa para agressões dentro de casa”, conclui.

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